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Reunidos na Sala
da Justiça, quero dizer, na primeira sala que
alugamos para ser o escritório da Mult Art, Maurício Júnior e Neto, autores das sagas
"NO FIM DOS TEMPOS"
e "LADY DRAGÃO"
tentavam me convencer (Tomaz) a publicar suas
criações. Escaldado por outras tentativas
frustadas e mais frustrado ainda por não estar
produzindo o meu fanzine de quadrinhos "O ESPÍRITO DE PORCO"
naquela época, procurei dissuadí-los: "muito
trabalho", "ocupado demais para isso".
Imediatamente, Maurício Júnior me lembrou
que ele havia voltado a trabalhar na Mult Art, deixando uma
promissora carreira num estúdio de animação
(mentiroso), só porque sabia que eu estava
transformando o estúdio de arte-final em gráfica
e que iria apoiá-lo na empreitada por causa da
minha paixão pelos quadrinhos. Fui informado
depois que o estúdio de animação na verdade
estava fechando. Maurício
e Neto,
portanto, tinham tempo de sobra para rabiscar
suas viagens. De qualquer forma, a chantagem
funcionou. Com direito até a entrevista na
televisão (TV
Brasília) conseguimos editar o único
número da revista sob protesto do meu antigo
sócio (João Cambão)
que se descabelou ao contabilizar um
prejuízo inicial enorme e saber que ainda
tínhamos planos para lançar mais quatro números
que completariam a saga. Fomos vencidos pela
força das "verdinhas", tal qual radição de
kriptonita. Vida de herói em cidade pequena é
foda! |
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Atração
especial da aventura de 98: uma entevista com Jô
Oliveira, um mestre radicado em Brasília
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A apresentação
abaixo é uma transcrição fiel da apresentação que
fizemos nas páginas centrais da revista MULTI
COMIX, com Lady Dragão e No Fim dos Tempos,
editada em
1998. | | |
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Jô Oliveira é um nome
conhecido entre os qudrinhistas e artistas gráficos de
Brasília e do Brasil, além de ser reconhecido como um grande
talento no exterior. Aliás, Jô Oliveira sempre foi mais
conhecido fora do país, mas isso não fez com que ele
abandonasse sua carasterística de produzir quadrinhos com
temas nacionais, desfiando um novelo de candaceiros, coronéis,
ídios e jagunços por suas páginas. Como artista gráfico,
Jô produziu pôsteres, cartazes, capas de livros, logomarcas
para empresas e até uma série premiada de sêlos paras os
Correios. Batalhador incansável dos quadrinhos, publicou
histórias no Pasquim na década de 70 e lutou, juntamente com
outros "heróicos combatentes", para produzir uma revista em
Brasília. Dentre suas inúmeras atividades como ilustrador,
ficou conhecido por desenhar para livros infantis, onde
destacamos o título "O Pavão Misterioso". Com patrocíno da
Embaixada da Espanha, publicou em 1994 "As Amazonas - A
Conquista do Rio-Mar pelo Capitão Fancisco Orellna", uma
história com 24 páginas de quadrinho, todas em
policromia. Em 1995, Jô Oliveira fez uma exposição no
Espaço Cultural da 508 Sul intitulada "20 anos de Quadrinhos",
com a qual tentava passar adiante sua experiência, motivando
novos artistas. Uma característica marcante de Jô foi
sempre incentivar quem está começando, dando força e
estimulando a criatividade. Como professor da UnB, procurou
entender porque o curso de Educação Artística incentiva os
alunos a abandonarem o figurativo para enveredar por caminhos
abstratos. Talvez por não encontrar respostas entre seus
colegas de ensino, abandonou a Universidade, deixando "órfãos"
os alunos que queriam seguir seus passos. Dono de um traço
forte, Jô Oliveira não abre mão de seu estilo. Mesmo atento ao
avanço da computação gráfica, utiliza uma técnica bastante
simples de ilustração, usando ecoline (tinta tipo aquarela)
sobre nankin para produzir suas páginas. Confira nesta
entrevista concedida à jornalista Ana Heloísa, com
exclusividade para a Mult Comix, o que Jô Oliveira pensa sobre
os quadrinhos de um modo geral.

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