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Valeu à pena esperar para festejar com estilo o final da saga que começou a ser escrita há 2 anos com a idéia do Fórum "200 Anos de Fanzines no Brasil?", proposta em 2008 pelo Zine Oficial em paralelo aos 200 anos da imprensa brasileira. Por inspiração do Fórum, surgiu o embrião do Projeto Letra de Música, que procura estimular o gosto pela leitura através da realização de shows de Rock com exposição e incentivo ao surgimento de novos fanzines, publicações artesanais onde expressões artísticas de vanguarda encontram espaço para se desenvolver e crescer antes de serem assimiladas pela grande mídia. O encerramento do projeto trouxe pela primeira vez a Brasília a lendária banda paraense STRESS, a primeira a registrar um álbum de Heavy Metal no Brasil, em 1982. Ali estavam as faixas Sodoma e Gomorra, A Chacina, 2031, O Oráculo do Judas, Stressencefalodrama, O Viciado, Mate o Réu, O Lixo e Inferno Nuclear ( faixa bônus, gravada em 83, só saiu no CD), os primeiros registros oficiais do Heavy Metal brasileiro. Veja abaixo como esse episódio é narrado na próxima obra literária do Circuito Letra de Música, que terá continuidade em 2012. Trecho do livro "Velhos demais para o Rock´n Roll?" - Capítulo V: Joana Dark."O Projeto Letra de Música, além do lançamento de um livro e fanzines em 2010, fez uma série de shows e exposições com o propósito de incentivar nos jovens roqueiros o interesse pela literatura. Outra bandeira do circuito era prestar homenagem aos cem anos do Dia Internacional da Mulher e aos cinqüenta anos de Brasília, por isso protagonistas femininas foram convidadas para escrever relatos de seu envolvimento passional com o rock, inclusive Joana Dark, que inexplicavelmente debandou da responsabilidade. Enfim, seis garotas conseguiram entregar material a tempo para publicação do livro. Além de Andréa, Alice, da banda hardcore Gulag, Bianca, por sua participação na banda punk feminina Bulimia, Ludmila da banda de heavy metal feminina Estamira, Márcia Pricilia do Headbanger´s Attack Festival e Zanny Galvão, da banda também feminina de heavy metal Flammea. Dessa forma, no dia vinte e um de setembro, cinco das seis garotas receberam convidadas especiais para um badalado coquetel. O encontro aconteceu no Sindicato dos Professores, no Setor Gráfico do Plano Piloto, e se transformou num acalorado debate sobre a participação das mulheres na cena roqueira do DF e Entorno. Na ocasião foram registradas as fotos que ilustraram as partes internas da capa do livro. Outra vez, sem nenhuma explicação, Joana Dark deixou de ir. Márcia, uma das escritoras, não compareceu em virtude da viagem inesperada e inadiável ao interior de São Paulo, para o enterro de uma tia. No sábado seguinte ao coquetel de pré-lançamento, os fãs de heavy metal foram os que mais prestigiaram a tão esperada publicação do livro Mulheres do Rock. Para eles, principalmente, valeu à pena esperar para festejar com estilo o desfecho da saga que começou a ser escrita dois anos antes, com a idéia do Fórum Duzentos Anos de Fanzines no Brasil, proposta em 2008 pelo Zine Oficial em paralelo aos duzentos anos da imprensa brasileira. Por inspiração do Fórum, surgiu o embrião do Projeto Letra de Música, em princípio, como incentivo à publicação de novos fanzines, publicações onde expressões artísticas de vanguarda encontraram espaço para se desenvolver e crescer antes de serem assimiladas pela grande mídia. O encerramento do projeto trouxe pela primeira vez a Brasília a lendária banda paraense Stress, o primeiro conjunto brasileiro a registrar um álbum de heavy metal, em 1982. O papel dos fanzines para essa conquista foi crucial e, por ser fanzineira, engajada até a alma na imprensa alternativa, Joana Dark finalmente deu as caras no dia do show. Na década de 1970, com o encerramento das atividades da edição brasileira do jornal norte-americano Rolling Stone, editada por Luiz Carlos Ferreira Maciel, a revista Pop e outras poucas publicações tentaram segurar a peteca do rock. No jornal A Folha de São Paulo, uma página semanal sobre o gênero era coordenada por Carlinhos "Pop" Gouveia. Na TV Globo, a patota cultuava o Sábado Som, programa apresentado pelo jornalista, compositor, escritor, roteirista e produtor musical carioca Nelson Motta. Apesar das citações sugerirem o contrário, as coisas não corriam às mil maravilhas. As dificuldades para divulgação de trabalhos independentes sempre foram grandes, mas houve um tempo em que a luta parecia perdida no País, principalmente em uma cidade provinciana como Belém do Pará, onde surgiu a banda Stress, em 1974, apenas dois anos após o nascimento da baianinha Joana Dark. Ser roqueiro naquela época era coisa de quem se rebelava contra os modismos impostos pela mídia nacional. Contra todas as tendências, em todo Brasil, eram organizados shows por jovens que trocavam informações, discos, firmavam amizades duradouras e passavam a acreditar na possibilidade real do surgimento de um movimento roqueiro forte, onde os próprios fãs ajudavam na venda de ingressos, afixação de cartazes e faixas e confecção de camisetas. A banda paulista Genocídio, de death metal, surgida no final dos anos 1980, contava em sua formação com o guitarrista W. Perna, designer gráfico que ajudou a compor as páginas da Comando Rock, Roadie Crew e Rock Brigade, conceituadas revistas nacionais de rock que surgiram a partir das experiências de seus editores na publicação de fanzines. Joana Dark divertia-se com o convite que ajudou a criar para que os fãs prestigiassem as atrações nacionais no dia do encerramento do Projeto Letra de Música, em 2010, em homenagem à luta dos que se engajaram na imprensa independente para não deixar o rock nacional morrer. O slogan veiculado no site do Zine Oficial era: "Stress e Genocídio em Brasília". Os portais do CONIC, o templo maldito do rock brasiliense, tiveram passagem livre para todas as almas roqueiras e espíritos curiosos, inclusive com a inesperada participação de mais de cem membros do Brasília Zombie Walk, grupo que invadiu o local fantasiado a caráter, como zumbis, o que fez Joana Dark quase ter um orgasmo. Apesar da chuva que ameaçava despencar do céu escuro, cerca de mil e quinhentas pessoas aproveitaram a gratuidade e prestigiaram o evento, economizando o seu suado papel-moeda, mas esbanjando o precioso heavy metal das bandas nacionais convidadas, que por décadas registraram o pioneirismo dos cantantes do gênero em terras tupiniquins. Foi com grande satisfação que durante sua apresentação os paraenses da banda Stress deram a notícia de que o evento estava sendo filmado para fazer parte do documentário Heavy Metal Brasil, que teve o hino composto por eles. Essa revelação fechou com chave de ouro a sequência de apresentações musicais, iniciada às dezesseis horas com as bandas brasilienses Gulag, Mostarja, Kábula e Death Slam, além da banda goiana Massacre Bestial. Genocídio, a brutal banda de death metal paulista, foi a penúltima a se apresentar, subindo ao palco após as vinte e duas horas. O público só abandonou o local quase uma hora após os últimos acordes, por volta da meia noite, em um belo sábado negro. Joana Dark conseguiu enveredar pelo subterrâneo do conjunto comercial onde tudo aconteceu, sabe-se lá como, igual uma vampira que se esconde nas sombras. Em resposta à reclamação da garota sobre a ausência de uma banda totalmente feminina no lançamento do livro Mulheres do Rock, os editores informaram que durante o quinto Festival Quaresmada, em fevereiro do mesmo ano, só tocaram bandas com pelo menos uma garota na formação, quando foi revelada ao público a idéia da publicação do livro. Surgido em 2006 com a idéia de exorcizar os ritmos do Reinado de Momo, em um ritual roqueiro no primeiro sábado após o Carnaval, o Quaresmada deu origem ao Zine Oficial, que Joana Dark acompanhava desde a primeira edição. No quinto ano de realização do festival, representando a insana cena de Àguas Lindas de Goiás e homenageando outras cidades do Entorno, a banda punk Kaos Anti Repressor, KAR, da guitarrista e vocalista Geisa, abriu os trabalhos. A banda hardcore chamada Os Delatores, da jovem baterista Myrian, contemplou o povo do Setor P Sul e o movimento Otaloukos, grupo de jovens aficcionados pela cultura japonesa. A Bonecas de Trapo, punk e grunge de Ceilândia, foi convidada para marcar sua volta aos shows depois do recesso maternidade de duas de suas três integrantes. Equilibrando as forças entre os estilos musicais metal e punk, a programação foi temperada com o rock pesado da Dog Savanna, banda da guitarrista Seven, moradora do Guará. A Terror Revolucionário, de hardcore livre, por toda história pessoal da baixista e vocalista Adriana, também do Guará, não poderia ficar de fora. A última atração da noite, por sua vez, foi escalada pelo desempenho de cinco guerreiras do metal crossover espalhadas por diferentes cidades do DF: Estamira batizou a banda feminina candanga por referência a um filme documentário sobre uma senhora de mais de 60 anos que apresentava distúrbios mentais, vivia e trabalhava no aterro sanitário de jardim Gramacho, local para onde iam os resíduos produzidos na Cidade do Rio de Janeiro. Joana Dark extremeceu com as explicações e ficou a imaginar Estamira, a senhora louca, cantando nos porões do CONIC." (Autor: Tomaz André, www.zineoficial.com.br)
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PRATAS DA CASAO Festival de Encerramento do Projeto Letra de Música 2010, que não encerrou, no entanto, o desenrolar de novos capítulos, aconteceu no coração de Brasília no dia 25 de setembro, com shows de várias vertentes do rock, representadas pelas pratas da casa GULAG, KÁBULA, DEATH SLAM, MASSACRE BESTIAL e QUEBRA-QUEIXO, bandas que abrigam em suas fileiras alguns fanzineiros do DF, além de contar com a participação especial da banda Mostarja e exposição de fanzines... Mas esses foram apenas alguns elementos do que escrevemos com ajuda do grande público no CONIC - um conjunto comercial que respira produção underground.Das bandas do DF e Região do Entorno convidadas para o encerramento do Projeto Letra de Música, a Mostarja foi a única que não tinha fanzineiros em sua formação. No entanto, abrigava músicos experientes que passaram por diversas outras bandas, sintetizando a veia oitentista de grupos como LEGIÃO URBANA, CAPITAL INCIAL e PLEBE RUDE. A participação especial da Mostarja no encerramento do Projeto "Letra de Música" foi uma homenagem ao Rock de Brasília daquela época, a era de ouro de incontáveis fanzines. Poderíamos ter escolhido uma banda surgida há quase 30 anos e ainda na ativa, mas correríamos o risco de deixar de fora outras que vivenciaram o auge dos fanzines distribuídos de mão em mão na Capital Federal. A exposição de fanzines reportando diversos períodos do rock candango fez justiça e não deixou cair no esquecimento os heróis desse tempo - muitos do quais citados em diversas edições do Zine Oficial.
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Agradecimentos | |||||
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A todos os colaboradores e
amigos do Zine Oficial, muito obrigado! Em particular
gostaria de agradecer o apoio da Prefeitura do Conic que abrigou o
Festival Quaresmada em fevereiro de 2010 no início do Projeto Letra de
música quando poucos acreditavam em nosso plano de trabalho. Valeu muito,
prefeita Flávia Portela, continue apoiando e abrindo as portas do Conic,
nosso templo sagrado do rock´n´roll, para outros eventos! Gostaria de
agradecer também ao meu amigo Rodrigo Rollemberg pelo constante apoio aos
projetos culturais do DF e Entorno (sei que seu compromisso é sincero!) e
também às amigas de trabalho do Rodrigo, Mariana Salles e Valéria
Vasconcelos. Um abraço mais que especial à super dupla Martha Crioula e
Débora Aquino, da Ossos do Ofício Confraria das Artes, que gerenciaram
todo o Projeto Letra de Música com competência e profissionalismo! Beijos
também às queridas Edilaine, Michelle e Marina pelos comentários nas
orelhas e apresentação do livro Mulheres do Rock e às escritoras Alice,
Andréa (não chora, que eu choro junto!), Bianca, Ludmila, Márcia e Zanny
pelo entusiasmo com que narraram suas venturas e desventuras no rock do DF
e Entorno, retratando uma realidade comum à muitas outras guerreiras em um
universo no qual os homens se acham os únicos protagonistas.
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Tomaz André (Editor do Zine
Oficial) | |||||
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Bandas de rock iniciantes sempre reclamaram da falta de espaços para divulgar seus trabalhos. Resultado: a partir da década de 70, fanzines impressos através de meios artesanais ou xerocados, e a proliferação de e-zines a partir do início dos anos 90, transformaram-se em importantes mídias para veicular produções do underground. Mas será que só o rock utilizou ou utiliza o fanzine como meio de divulgação e circulação de idéias livres? Não, claro que não! Mas a simbiose entre Rock e fanzines é incontestável! |
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Aproveitando a repercussão dos 200 anos da Imprensa Nacional em 2008, nós do Zine Oficial lançamos a proposta de realizar o Fórum "200 Anos de Fanzines no Brasil?", com interrogação, para discutir quando foram editados, impressos ou copiados à mão mesmo os primeiros fanzines em solo brasileiro, procurando saber quais seus assuntos de interesse: política, música, poesia, romance? A história registra que a Imprensa Nacional nasceu da Impressão Régia, controlada pela família real portuguesa a partir da Gazeta do Rio de Janeiro, fundada no ano de 1808. Em paralelo à fundação da Imprensa Nacional no Brasil, Hipólito José da Costa começou a editar o Correio Braziliense, uma espécie de fanzine político impresso em Londres e contrabandeado de Navio para o Brasil. A publicação reunia, pelo caráter marginal, algumas características dos fanzines, como passamos a conhecê-los em meados do século XX. Mas o jornalzinho do nobre dissidente Hipólito José era ou não um fanzine? E se fosse fanzine, seria o primeiro fanzine brasileiro? Como critério, passamos a considerar fanzines as publicações editadas e reproduzidas pelos próprios autores, incluindo aí a poesia de cordel, mesmo conscientes de que muitos enfatizam as diferenças entre diversos tipos de publicações alternativas e até mesmo entre o termo zine e fanzine, que é a contração das palavras “fanatic” (ou “fan” / “fã”) e magazine, considerando assim apenas publicações feitas por fãs de um determinado assunto e direcionadas a outros fãs do mesmo gosto. O termo zine, que surgiu da abreviação de fanzine, seria uma publicação com as mesmas características no que diz respeito ao modo como são feitas, mas onde não há predominante a postura do fã, mas de alguém com interesse por determinado tema, artístico ou não. Durante os meses de junho a outubro de 2008 mantivemos acesas as atividades do fórum, pretendendo fechar os debates com um grande show no final daquele ano, evento que reuniria bandas de rock que tivessem em sua formação pelo menos um editor de fanzines. Para apimentar ainda mais o encerramento do Fórum "200 Anos de Fanzines no Brasil?", seria escalado um grupo de forró para tocar entre os roqueiros, desde que nesse grupo houvesse pelo menos um integrante que fosse editor de cordel. Como disse o Raul Seixas: "... Genival Lacerda tem a ver com Elvis e com Jerry Lee!" Infelizmente, o fórum ficou restrito à internet. O show de encerramento acabou não acontecendo por diversos motivos, mas valeu conversar com pessoas de todo o Brasil e saber que "a bonita arte do corte, colagem e cópias para distribuição pessoal ou via Correios", como bem afirmou em seu site a estudante de jornalismo Aline Ebert, ainda estava bem viva em 2008, duzentos anos após a publicação do primeiro impresso "marginal" brasileiro - ainda que não haja o consenso de que o Correio Braziliense de Hipólito José possa ser considerado um fanzine, mesmo reunindo muitas de suas características.
O Rock de Brasília, do DF e das cidades do Entorno tem um canal permanente de comunicação com o público através do site do Zine Oficial desde 2007. A Agenda de Shows do site do Zine Oficial é constantemente atualizada com a programação de pubs, boates e casas de shows, divulgando não só shows internacionais de bandas de Rock em Brasília e Região, mas principalmente shows de Bandas de Rock locais, iniciantes ou com mais estrada. O sucesso do site, porém nunca tirou nossa postura de manter como carro chefe (aliás, nossa razão de existir) a publicação regular da versão original impressa, que surgiu em 2006, circulando em formato de bolso pela cena underground da Região e ajudando, junto com outros fanzines locais, a resgatar o espírito dos velhos fanzines da década de 1980, aquelas revistas artesanais que impulsionaram a “ Brasília Capital do Rock ”. De toda essa experiência, nasceu o Projeto "Letra de Música", que procura estimular o gosto pela leitura através da realização de shows de Rock com exposição e incentivo ao surgimento de novos fanzines. |
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I Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas - UGA PRESS (SP) - Lançamento previsto para janeiro / fevereiro de 2011 . Fanzineiros de todo Brasil podem mandar seus trabalhos. O Zine Oficial ( Brasília, DF) apóia e dá os parabéns a essa iniciativa! | |||||
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