O mais tradicional festival de rock do DF no Entorno Sul está de volta!

Quando em 2012 o produtor Carlos Trindade disse que faria "o último Rock Cerrado do Gama" muita gente ficou triste... Eis que, entre idas e vindas, a trupe do Rock Cerrado do Gama renovou forças e, com ajuda de antigos e novos colaboradores, não deixou de organizar o festival!

Três anos depois de anunciado que o festival acabaria, a programação de sábado, dia 03 de outubro de 2015 a contava com Into The Dust, Alarme, Faces do Caos, Mãe Hostil, Bruto, Voodo One, Mechanix e O Dia D, a partir das 17 horas;

Domingo, dia 04 de outubro de 2015, a partir das 15 horas, de acordo com a programação anunciada, o polco foi reservado para as bandas Sintah Ligah, Nego Blues, Kábula, RA II, Skatugula, Negue-se e a aniversariante Mr. Hyde, além da banda Madrenegra, com direito à execução ao vivo do CD "Todo sonhador é viciado em esperança", lançado com 14 faixas.

A Praça do Cine Itapuã, no Gama Leste, tremeu em outubro com o Rock Cerrado 2015, na 13ª edição do festival, com acesso livre para o público que compareceu eufórico!

     

Trechos do livro "Velhos demais para o rock´n´roll?" falam sobre como surgiu o Rock Cerrado do Gama

"(...) mais de duas mil pessoas (...) testemunharam as apresentações de BSB-H, Stuhlazäpfchen Von N, Frutos do Meio e mais cincos bandas do DF na área entre as quadras dois e oito do Setor Sul, terreno baldio consagrado pelo rock e ocupado por uma igreja anos mais tarde. Antes dos cânticos e orações, o local era conhecido como O Social, onde a juventude gamense se divertia. Foi naquele lugar, em uma bela tarde de domingo, que o grupo cultural Os Parasitas começou sua jornada de badalações na cidade, com a realização do primeiro Rock Cerrado do Gama. (...)"

 
   

"(...) Com média de 20 anos de idade, jovens entusiasmados por rock´n roll criaram o festival de maior referência do DF na Região do Entorno Sul. O grupo cultural Os Parasitas tornou-se pessoa jurídica com acesso aos diversos órgãos do Estado, imprensa e iniciativa privada, obtendo apoio da Segurança Pública e da Companhia de Eletricidade de Brasília para realização de shows ao ar livre. O Ginásio Coberto de Esportes e o Colégio do Gama, CG, serviram de palco para alguns eventos promovidos pelo grupo. O inusitado concurso de beleza Garota Parasita foi muito importante para o prestígio da rapaziada de visual extravagante, que até então era vista com rabo de olho na vizinhança, discriminação que Satãzinho conhecia bem.

Apesar do nome pra lá de esquisito, o concurso Garota Parasita conseguiu escalar respeitável grupo de jurados, composto por servidores públicos e comerciantes locais, com toda pompa possível. A inscrição de 10 belas garotas da cidade afastou um pouco o preconceito contra os roqueiros sujos e mulambentos, como os organizadores do Rock Cerrado do Gama até então eram vistos.

Satãzinho espreitava e admirava a ousadia dos Parasitas, que agregava cada vez mais público aos seus eventos. Os jovens recorriam à criatividade para realizar projetos, movidos apenas pela curtição. Boa parte das suas promoções tinham entrada gratuita. Nesses casos, os patrocinadores bancavam as despesas e os jovens trabalhavam de graça na produção. Em uma das raras vezes que teve lucro financeiro, o grupo decidiu usar o dinheiro como entrada na compra de um apartamento na planta ― investimento para futuro aluguel ou hospedagem de bandas. As prestações não foram pagas por causa de prejuízos em shows. O ágio do imóvel foi trocado por um Landau velho ― veículo que anos mais tarde ninguém do grupo saberia dizer que fim levou.

Parte dos Parasitas possuía pequena renda proveniente de estágios para estudantes, soldo como recrutas das Forças Armadas, trabalho no comércio e aulas particulares em cursinhos. Atividades mais rentáveis que o rock, infelizmente. Durante um evento no Colégio do Gama, após pagas todas as despesas com som, bandas, divulgação e transporte, a arrecadação só deu para comprar um saquinho de leite e oito pães doce, devorados imediatamente, pois ninguém da produção havia lanchado. Como nem só de pão e rock´n roll vive o homem, a confraria começou a enfraquecer e cada Parasita procurou seu rumo profissional, limitando as atividades roqueiras a encontros casuais, recordações e aflição por causa da doença misteriosa de um dos integrantes ― que logo se revelou em estágio terminal.

Depois de 15 anos dispersos, remanescentes dos Parasitas resolveram reativar o Rock Cerrado do Gama. Dentre mais de 50 inscrições, selecionaram: 10zero4; Kábula; Cromonato; Lúpulo e Cereais não Maltados; Into The Dust; e Faces do Caos. A critério dos organizadores foram convidadas Magna Speels e Black Bulldog ― que acabou não tocando. A banda ARD, remanescente da Stuhlazäpfchen Von N, participante em 1986 do primeiro festival organizado pelos Parasitas, apresentou-se em 2007 com status de lenda viva.

Satãzinho leu, no Zine Oficial 11, notícias detalhadas sobre a volta do saudoso evento. No dia sete de outubro, quando anunciaram homenagem a Genival Dragon, seus olhos marejaram. Falecido fazia tempo, o integrante dos Parasitas completaria 38 anos três dias depois. Carlinhos Trindade, Reinaldo, Fred, Fogoió, Mariano, Guto, João e Flávio Bigode reuniram-se para realizar a oitava edição do Rock Cerrado como tributo ao inesquecível Genival. Para isso, contaram com apoio do amigo Humberto Medeiros e de Marcos Paulo, baterista da banda Black Bulldog. Uma história que chamou atenção de Satãzinho foi que o baterista frequentava as primeiras edições do festival, ainda moleque. Nem sabia tocar ainda, mas sonhava um dia subir ao palco. Em 2007 e 2008, por impedimento de integrantes da Black Bulldog, esse sonho acabou adiado. A persistência foi recompensada em 2009. Nos dois anos seguintes não houve continuidade do Festival, tanto por falta de patrocínio quanto pelos compromissos pessoais e profissionais da velha guarda dos Parasitas. Em 2012 foi realizada nova edição, anunciada como o último Rock Cerrado do Gama. Marcos Paulo estava lá, mas Satãzinho não."

Leia outro trecho do livro "Velhos demais para o Rock´n´roll?" >>>