Zine Oficial - Olá, Osiris, é um prazer entrevistá-lo. Você e o Marcelo Soares são amigos de longa data. Seu ingresso na formação original do Dark Avenger se deu com a saída dele do antigo grupo Rat White, em 1993. Em 2008 você voltou para o Kábula também com a saída do Marcelo, com quem dividiu as guitarras no grupo na formação que durou entre 2000/2002 mais ou menos. Coincidência ou perseguição (risos)?
Osiris di Castro: (Risos) Nem um nem outro. A história é a seguinte: Eu, Marcelo e Leonel começamos a tocar praticamente juntos. Em 1993 eu já tinha um projeto anterior ao Dark Avenger. Esse meu projeto ainda estava muito no começo. A banda RAT WHITE que, diga-se de passagem, nunca se apresentou ao vivo, começava a produzir seus primeiros trabalhos já batizada com outro nome (ainda não era Dark Avenger), decidiu que iria fazer heavy metal tradicional e em inglês. Foi o momento em que alguns integrantes saíram e outros entraram para dar origem ao Dark Avenger, que era uma idéia bem parecida com o meu projeto. Foi uma questão de afinidade de som mesmo.
A minha volta ao Kábula em 2008 foi muito diferente, a banda tinha alguns compromissos importantíssimos dos quais o guitarrista Marcelo Soares não iria participar. Pela amizade com a banda e pelo fato de termos trabalhado juntos entre 2001 e 2004, eu fui o nome cogitado. Outra coisa que também pesou na balança foi o fato de que o Kábula estava buscando uma identidade mais marcante para o novo trabalho, que por sinal estamos lançando este mês. E eu acho que consegui hehehehehehe.
Zine Oficial - O Dark Avenger tocou no Festival Rolla Pedra, aliás um ótimo festival, com grande infraestrutura, realizado nos dias 29, 30 e 31 de maio de 2009 na Torre de TV, em Brasília. Essa apresentação marcou definitivamente a volta do Dark Avenger ou foi só um show para matar as saudades do fãs.
Osiris di Castro: Seguinte: até momentos antes do show a coisa ainda estava indefinida, alguns integrantes já queriam anunciar o retorno e outros ainda em cima do muro como eu. Porém a resposta do público, o clima dentro da banda e o gostinho de reviver o passado foram decisivos para nós. Isso tudo compôs a química que, só quem já subiu em um palco pode saber. Foi muito bom mesmo, com certeza o Dark Avenger está na ativa novamente e já em direção a um novo trabalho.
Zine Oficial: Quem conhece seu trabalho, sabe que você é um músico versátil. No Kábula, a proposta é uma, no Dark Avenger é outra. No primeiro dia do Rolla Pedra você se apresentou com as duas bandas, abriu o festival com o hard rock do Kábula e fechou com o metal tradicional do Dark Avenger. Você não teme ter que escolher entre uma e outra banda? O que pode dizer para os fãs dessas bandas com relação ao seu futuro nas duas formações?
Osiris di Castro: Posso garantir pra você que um cara como eu fominha por guitarra não está achando nada ruim tocar nessas duas ótimas bandas. Cada uma delas me dá alegrias diferentes e o mesmo prazer de estar no palco. É claro que a agenda fica um pouco apertada, no entanto se um dia eu tiver que optar entre Kábula e Dark Avenger, o motivo certamente não será preferência e sim um fator externo que não possa ser solucionado, não há nada que favoreça uma ou outra, sacou?
Quanto aos estilos: eu cresci ouvindo hard rock, minhas bandas preferidas são Kiss, Whitesnake, Ratt, Black ´n´ Blue entre outras. No entanto o heavy metal tradicional nos anos 80 era muito próximo em termos de som e a maior diferença são os temas das letras e o visual. Eu adoro fazer esses dois trabalhos simultaneamente porque posso me deleitar com o que mais gosto em cada uma das vertentes.
Zine Oficial: Além de músico você é luthier. Especificamente, qual o seu trabalho com instrumentos musicais? Conserta? Fabrica sob encomenda?
Osiris di Castro: Eu comecei fazendo pequenos consertos como qualquer luthier e cheguei a fabricar algumas guitarras e baixos. É um trabalho maravilhoso e que certamente eu retomarei num futuro. Dois grandes problemas dessa profissão são: primeiro ela está prostituída, muita gente que acha que sabe alguma coisa de instrumento está na rua fazendo besteira a baixo preço. Até podemos entender isso como a situação do país que está lotado de gente desempregada. O outro problema é que o brasileiro não sabe porra nenhuma de instrumento e reclama que serviço de luthier é caro, eles não se tocam que o profissional tem uma responsabilidade gigantesca quando faz manutenção no instrumento do cliente, existem guitarras que custam mais de vinte mil reais; e o valor dos serviços é o mesmo pra uma guitarra de cento e cinqüenta reais onde a responsabilidade é a mesma, entende?
Na prática eu amo trabalhar com instrumentos e inclusive desmistificar alguns instrumentos que ninguém sabe porque são bons. Em contra partida é muito difícil se manter com um tipo de trabalho que não se consegue uma regularidade em termos financeiros.
Zine Oficial: Soubemos que você pretende desenvolver workshops de guitarras. Tem alguma proposta concreta em relação a isso, apoio de alguma loja musical?
Osiris di Castro: Isso ainda está no campo das idéias, eu estou bastante atarefado e por isso deve demorar até eu conseguir ajeitar a estrutura. Não quero fazer esses workshops chatos onde o cara fica se exibindo e mostrando apenas milhões de notas por segundo, eu quero tratar de questões importantes que ninguém fala como tendinite, por exemplo. Até porque eu sofro desse mal e não gostaria de ver a molecada passando pelo mesmo problema. O apoio ainda não está fechado até porque não formalizei o projeto. Assim que eu o fizer, verei que apoios consigo. A coisa está andando, mas bem devagar. Se tudo der certo, vocês ficarão sabendo em primeira mão.
Zine Oficial: Voltando ao seu trabalho como músico. Hoje você está casado e tem uma filhinha. O Kábula tocou em 2008 no ForCaos, em Fortaleza. O Dark Avenger é uma banda que viajou por todo Brasil. Vai dar para conciliar essa nova fase da sua vida?
Osiris di Castro: Isso não é tão difícil, primeiro porque as bandas são muito flexíveis e todos os integrantes também tem seus afazeres. Segundo, a minha esposa é uma pessoa maravilhosa e sabe da importância desses trabalhos pra mim. Ainda tem o fato de que os frutos colhidos são pra toda a família.
Zine Oficial: O que os fãs podem esperar do Dark Avenger de 2009 pra frente? A banda voltou com composições novas ou recomeça levando sons antigos, para deleite dos fãs mais velhos e deslumbre da nova geração?
Osiris di Castro: A banda está trabalhando em prol de um novo CD, mas como nós voltamos a muito pouco tempo, os eventuais shows que acontecerem serão baseados nos trabalhos já gravados, a única exceção foi a música “Stronger Than Death” que trata justamente do renascimento do Dark Avenger.
Zine Oficial: E o CD do Kábula, Na Estrada? Você, além de guitarrista, foi uma espécie de produtor do trabalho? Diga aos fãs da banda o que foi desenvolvido em termos de sonoridade, estilo, qualidade de gravação.
Osiris di Castro: Eu tenho um carinho muito especial com o CD “Na Estrada”, ele foi feito a toque de caixa, existiram músicas que saíram em dois ensaios, pois o estúdio já estava pago a quase um ano e não tínhamos tempo pra elaborar mais coisas. Então por sugestão minha, decidimos que seria um trabalho “seco” e sem firulas. Eu fiquei a cargo de não deixar que essa proposta se perdesse, foi o trabalho que mais compus na minha vida. Acho até que algumas coisas ficaram grotescas como os solos de guitarra que foram gravados em 8 horas e quase tudo no improviso. No que se refere à produção, eu insisti muito para que fosse gravado um trabalho que a reprodução ao vivo ficasse no mesmo clima e com a mesma energia. O interessante é que ficou bem consistente, com peso e acidez. Isso deu uma personalidade fantástica ao som, a qualidade da gravação superou muito as expectativas da banda. Sugiro que a galera que gosta de rock de verdade, ouça o CD “Na Estrada”.
Zine Oficial: O Kábula gravou no CD Na Estrada a música Amor e Ódio, do Atena, uma banda embrionária do Dark Avenger. Lembro que no primeiro CD oficial do Kábula (Papillon), formação da qual você fazia parte, houve um grande sucesso cantado ao vivo em português pelo grupo, Divindade Fatasma, que ficou de fora porque já tinha sido gravado pelo Dark Avenger em Inglês, em sua primeira e única demo-tape, de 1994, chamada Choose Your Side... Heaven or Hell, com o título de Ghost Divinity. A letra em português do Kábula não é uma tradução da letra em inglês do Dark Avenger. De quem é a música e de quem é a letra em português e em inglês, e qual das duas versões é a original?
Osiris di Castro: Até onde sei, a música “Amor e Ódio” era tocada pela extinta banda Athena, da qual fizeram parte André Moraes e Wilson DiCastro (autores da música) e o baixista Wagner. Nós a gravamos com a devida permissão dos mesmos. Quanto a Divindade Fantasma tocada pelo Kábula e Ghost Divinity tocada pelo Dark Avenger, a única coisa em comum entre as duas músicas é o nome. Ambas diferem em contexto e tema. A ligação mais provável, é que Ghost Divinity foi inspirada em Divindade Fantasma, que havia sido composta por projetos que antecederam a banda Dark Avenger.
Zine Oficial: Valeu pelos esclarecimentos, Osiris. Um forte abraço e sucesso com o Dark Avenger e com o Kábula! É jornada dupla, trabalho dobrado! Mande seu recado para os fãs e faça através do site do Zine Oficial sua queixa ao Sindicato dos Músicos (risos)....
Eu que agradeço a oportunidade de falar um pouquinho de mim, do Kábula e do Dark Avenger, essa jornada dupla dá muito trabalho mesmo!! já pensou se a OMB conseguisse que eu recebesse por hora? eu tava rico!!!!!
Para todos os fãs um grande abraço ouçam o CD “Na Estrada” e aguardem novidades que serão divulgadas no site do Dark Avenger, essa trabalheira toda é para vocês e é por vocês que todas as bandas existem. Grande abraço a todos!!!
